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A
DIFERENÇA ENTRE QUEM QUER E QUEM NÃO QUER!
Rosana
Braga
"É
incrível como existem pessoas que passam longos anos se machucando, vendo sua
intuição se confirmar enquanto seu desejo desaba."
Outro dia li uma frase
no livro Namorados para sempre, de Zig Ziglair, que me saltou aos olhos: “as
atitudes precedem os sentimentos”. De certa forma, sempre acreditei em algo
semelhante, apostando que os sentimentos precisam ser alimentados com atitudes
coerentes.
Quem nunca se envolveu
com alguém que vive dizendo que gosta, que está a fim, que quer ficar, mas...
paralelamente... suas atitudes demonstram exatamente o contrário? A pessoa não
cumpre o que combina, não tem gestos de carinho, diz que vai ligar e não liga,
é nitidamente superficial e age como se o outro tivesse bem pouca importância?
Você acha que esta
descrição deixou muito evidente que se trata de alguém que não quer assumir
nada e nem é coerente com o que ele mesmo vive dizendo? Não conte com isso!
Imediatamente depois de uma atitude que deixa claro o quanto não existe
predisposição para viver um relacionamento, vem uma avalanche de palavras
tentando nos convencer de que estamos equivocados, redondamente enganados, ou
seja, promessas, juras de amor, pedidos de desculpas, propostas de recomeços e,
enfim, está armada a arena dos loucos.
A quem é o alvo de tal
contradição restam sentimentos como aflição, angústia, insegurança, sensação
de que não tem nenhum motivo para continuar apostando nesta relação, mas ao
mesmo tempo, o desejo de que – desta vez – quem sabe seja verdade.
Só mais uma
chance, só mais uma vez. E de última em última, crescem somente as mágoas e
a tristeza; a decepção e até a confiança em si mesmas. Porque essas pessoas
insistem em desmentir sua própria intuição, sua própria percepção de que já
acabou... ou que nunca nem existiu essa relação senão na idealização delas.
Até certo ponto, é compreensível, pois fica a questão: se ele fala tudo o
que fala é porque deve haver algum sentimento. Se ele insiste e pede mais uma
chance é porque talvez goste um pouquinho, e, se eu permitir, talvez consiga
conquistá-lo desta vez. Ok... o talvez ainda é uma possibilidade. Talvez haja
mesmo uma mudança de atitude, um comportamento diferente, mas certamente isso não
acontecerá enquanto for mantida esta dinâmica confusa e desrespeitosa.
Por outro lado, pode ser
que algumas pessoas assim nunca mudem, simplesmente porque é assim que
aprenderam a se relacionar e não estão dispostas a se rever, por quaisquer que
sejam seus motivos. Neste caso, é provável que precisemos sofrer duas, cinco
ou até dez vezes o mesmo tombo até perceber que o problema não está na nossa
maneira de caminhar e sim no caminho. Até nos darmos conta de que não temos
que mudar nossos passos, e sim a direção.
Mas é incrível como
existem pessoas que passam longos anos se machucando, vendo sua intuição se
confirmar enquanto que seu desejo desaba, assistindo no camarote de sua vida a
conquista de mais uma dor, de mais uma mentira, de mais uma decepção, sem
tomar coragem para dar um basta nisso tudo.
Fácil? Não,
certamente. Mas absolutamente possível, tenho certeza. Basta que se descubra o
significado de um sentimento chamado auto-respeito. Respeitar-se é ter a convicção
de que ninguém, a não ser você mesmo, pode acabar com uma circunstância que
tem-lhe causado muito mais desgosto e vazio do que alegria e satisfação.
É preciso agir
como quem age enquanto se livra de um vício qualquer. Repetir para si mesmo
algo como o mote dos recuperandos: “somente hoje eu vou dizer não” e até
marcar num calendário um círculo ao redor de mais um dia de respeito por si
mesmo.
Até que chegará o
momento em que a aflição terá terminado e você ficará com a sensação de
que está, enfim, livre para apostar num outro tipo de relação. Aquele tipo em
que as palavras ditas são coerentes com as atitudes tomadas... ou seja, em que
o outro diz que quer... e age como quem quer, porque o amor definitivamente não
pode ser enlouquecedor.
Rosana Braga é
escritora, jornalista e consultora em relacionamentos afetivos.
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