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A
ILUSÃO DE QUE O SONHO CONTINUA
Roberto Shinyashiki
"Na
tentativa de garantir que algo fique do jeito que nós planejamos, fazemos
loucuras e teimamos em não perceber a realidade."
Existem
coisas que nós só aprendemos depois que as vivemos. Na adolescência temos a
idéia de que vamos descobrir um jeito especial de viver, de forma que só
teremos prazer e felicidade. Quando os problemas aparecem, ficamos desesperados.
No
começo, a tendência é culpar sempre os outros; responsabilizamos os pais, o
ser amado, os chefes; depois culpamos a nós mesmos e ficamos procurando o que
está errado conosco, o tempo todo. É um período em que vivemos depressivos,
pois não conseguimos encontrar nada de bom em nós mesmos.
Em
seguida percebemos que a felicidade é um jeito de viver a vida, não
simplesmente uma coleção de momentos felizes, mas uma postura de compreensão
diante dos acontecimentos de nossa vida. Uma forma de entender que o sofrimento
é inevitável. Assim como o prazer também o é.
De
um jeito ou de outro, eles vão aparecer, apesar da nossa maneira de administrar
nossas vidas, porque viver é uma longa caminhada por entre desertos e oásis,
avenidas congestionadas e vales totalmente abertos, mistérios que a existência
prepara para vivermos, diversos pratos exóticos para saborearmos e, através
deles, nos descobrirmos.
Mas
o fato de saber que existe uma viagem preparada para nós não implica pensar em
acomodar-se na vida, desanimar, desistir, porque, por outro lado, exige-se força
para realizar a nossa missão no planeta.
O
ser humano é parte de todo o universo e, certamente, não é o seu criador e
muito menos o seu dono. Essa postura através dos tempos, de senhor
todo-poderoso, tem custado ao homem um constante sentimento de impotência e desânimo,
porque ele acaba se isolando da realidade, da consciência do universo.
Esteja
certo: tudo o que aconteceu foi perfeito! Esse foi o caminho que a existência
encontrou para nos ensinar tantas coisas que precisávamos aprender. Aceitar a
morte, aceitar a perda, aceitar que tudo que está conosco um dia certamente não
vai mais estar, é uma sabedoria que bem poucas pessoas conseguem obter.
As
pessoas esquecem que tudo é temporário, inclusive a nossa permanência no
planeta. Na tentativa de garantir que algo fique do jeito que nós planejamos,
fazemos loucuras, negamos tanta coisa e não percebemos o que realmente está
acontecendo. Negamos a nossa própria capacidade de ver, para garantir um sonho;
negamos a nós mesmos, aos outros, negamos aquilo que é real, para manter a
ilusão de que o sonho continua...
Roberto
Shinyashiki é psiquiatra, conferencista e escritor,
autor de 10 livros, entre eles "Mistérios do Coração".
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