|
A
O
HOMEM LÚCIDO
Luiz Marins
Sabedoria
e lucidez, definitivamente, não têm idade.
O
homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções,
mas nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. Sabe que viver e
morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos
sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.
O homem lúcido sabe que é
o equilibrista na corda bamba da existência. E sabe que, por opção ou
acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão
do circo. Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará
todas as suas possibilidades.
Passeará
por seu campo aberto e por suas vielas floridas.
Saberá
ver a beleza em tudo.
Terá
amantes, amigos, ideais.
Urdirá
os planos e os realizará.
Resistirá
aos infortúnios e até às doenças.
E,
se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e
mansidão.Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada
cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então,
sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem
às pessoas. A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de
acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de
acontecimentos favoráveis. E o homem lúcido que optou pela Vida, com o
consentimento dos deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os
acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.
Esta
é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.
Pense
nisso.
Pense
como o homem lúcido em optar pela Vida.
Em
urdir planos e realizá-los.
Em
resistir aos infortúnios.
Em
esgotar todas as possibilidades de ser feliz.
|